“Concentre-se na sua prova” “Não se preocupe com os outros” “Não esqueça de tomar o seu suplemento” “Siga seus objetivos” “Faça uma prova perfeita” “O problema é você mesmo! Aprenda a lidar com isso e se vire” Frases como essas estão coladas nas paredes da casa e do quarto de Cesar Cielo em Auburn, São Paulo ou Santa Bárbara D´Oeste. Servem para mantê-lo motivado, sem desanimar nem desviar dos seus objetivos. “Uma vez uma menina me mandou uma frase que dizia o seguinte: ´Não desperdice as chances que você mesmo criou´. Essa foi para a parede. E encaixou direitinho em mim, porque eu estava num momento difícil nos Estados Unidos, com saudade, não sabia o que fazer. Mas pensei: ´Não passei por tudo isso para ficar desesperado e deixar uma coisinha mudar o meu trajeto´. Toda hora que bate um aperto, isso me ajuda.” No teto do quarto, sobre a sua cama, colou um papel com o tempo que ainda quer fazer nos 50 metros livre, seu segredo mais bem guardado. Quando alcançar o objetivo, vai queimá-lo como já fez com outros bilhetes cujas metas já conquistou. Já anotou no papel o tempo de 49
segundos para os 100 m livre. Fez 48s. “Gosto de queimar tudo depois, como num ritual”, comenta. Cielo ganhou o bronze na Olimpíada de Pequim, com o tempo de 47s67. Irreverente, Cesar Cielo até já usou fotos de ídolos como Gustavo Borges e de Aleksandr Popov numa colagem para servir de estímulo – uma montagem em que os ídolos aparecem apontando para ele e dizendo ´esse garoto vai longe´. Também mandou colocar moldura nas capas das revistas Swimming World em que aparece Gustavo Borges e ele próprio. As molduras estão na parede lado a lado. Antes das provas Cielo tem hábitos, imediatamente antes da prova, que passaram a chamar a atenção do público depois que ele ocupou o lugar mais alto do pódio em competições nobres, como Jogos Olímpicos, Mundiais e Pan-Americanos. E até já são imitados por jovens nadadores. Antes das competições, a trilha sonora tocando direto em seu iPod, com músicas escolhidas a dedo para incentivá-lo. Nas finais em Pequim, o nadador escutou o tema de abertura da série ´The Contender´. Mas isso pode variar, do clássico ao rock. Já na raia, pega água da piscina e cospe. E se estapeia nos braços, pernas e tórax até ficar com o peito marcado, vermelho. "Tudo para ficar mais na pilha, para despertar o corpo", explica. O dedo aponta o céu e ainda se benze, tanto para pedir quanto para agradecer um resultado. São imagens que impressionam adversários e a TV mostra para o mundo todo. "Não é um ritual nem segue qualquer sequência. Depende do dia. E do que preciso para focar na prova."
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